sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Uma história sem sentido

 Capitulo Um 

"Sempre em frente"

23 de Janeiro de 2028

Lisa sempre olhava para aquela vitrine e se imaginava em um lindo vestido de noiva com cauda de sereia, é claro que sempre que pensava nisso, lembrava-se que não havia um noivo, nem sequer um namorado, na verdade. Não era uma situação de assombração, nem de tristeza profunda, porém ela sentia saudades de Luís, seu ex-namorado, que havia morrido já fazia alguns anos.

Lisa balançou a cabeça sem esperança de encontrar um par naquele dia, e seguiu seu caminho em direção ao trabalho. A mesma trabalhava em um telemarketing, aonde, desde os 18 anos, sonhava em comprar uma casa, porém, nessa economia, aonde mal conseguia sobreviver, o trabalho não pagava Lisa o suficiente para conquistar um lar. Frente a esse pensamento, a mesma respirava fundo enquanto andava pela mesma esquina, indo em direção a empresa.

Quando parou na fila de entrada, pegou seu crachá na bolsa e deu bom dia a todos, como fazia toda manhã. Nem todos respondiam , alguns já acostumados, outros incomodado, porém Lisa reparou rostos novos e se lembrou de Edwin no dia anterior "Cuidado, ouvi que está entrando numa nova equipe na empresa, para tomar o setor de vendas de serviços móveis!". Teve de lembrá-lo que não trabalhava mais com serviços móveis e sim com dados experimentais de uma droga nova no mercado, o que o fez ficar triste, pois ele sempre esquecia no que Lisa trabalhava.

Edwin, agora seu mais antigo amigo, estava trabalhando muito para se mudar para outra cidade, já que em sua atual pequena cidade em comum, não havia mais muitas oportunidades de emprego. Por isso o mesmo estava trabalhando de garçom, quando sua hábil área de estudo era ciências computáveis (ciências da computação). Claro que algumas vezes, Lisa pedia ajuda de Edwin para melhorar seus dados de informações de seu setor, com  a permissão da empresa, o que o ajudava a arranjar um dinheiro extra, por isso Lisa sempre ficava frustrada quando Edwin esquecia no que ela trabalhava, sendo que o mesmo fazia alguns projetos em conjunto de tempos e tempos. Lisa só não fazia grande caso do esquecimento, pois sabia que muitas vezes, Edwin ficava 3 á 4 dias sem dormir. De toda forma, Edwin amava computação e sempre que resolviam fazer um projeto juntos apresentando uma abordagem baseada em dados para descobrir semelhanças entre perfis de amostras de drogas experimentas, Edwin ficava tão feliz que se esquecia do seu horário de trabalho no restaurante italiano, seu trabalho oficial.

Lisa sorriu e continuou esperando em linha, ouvindo os novatos empolgados e nervosos e sentiu saudade de Edwin. Assim que a fila avançou, Lisa finalmente conseguiu passar seu crachá no totem e subir para fazer seu trabalho e estava feliz ao ver que novamente era a funcionária do mês no setor de análise. Lisa nunca gostou de .se acomodar, mas gostava de ser a melhor no que fazia, porém nunca se exaltava, pois sabia que podia ser a melhor nesse setor, mas nunca seria a melhor em tudo, cada um. tem sua própria habilidade, algo em que destaca. Andreia Simmons era a melhor em suporte técnico de televisão, Lucas Santos era o melhor em vender armação de óculos, Leticia Dominic era a melhor em programação de máquinas de lavar (Lisa nem sabia como isso funcionava), e assim por diante. 

Ao seguir seu caminho em direção ao seu setor, Lisa cumprimentava todos que passavam, alguns cumprimentavam de volta e recebiam um sorriso. Quando chegou no seu setor, um galpão com a letra J marcada na porta, Lisa entrou sem medo, encontrou sua cadeira de costume e começou seu dia de trabalho, falar com clientes da nova droga da empresa que trabalhava HLUVCA, ninguém sabia pronunciar, mas todos conheciam a empresa. 

Após .4 clientes reclamarem  no telefone, dos efeitos colaterais de uma das drogas e Lisa listar todos os efeitos que estavam na parte detrás da caixa e escritos na bula, trazendo uma certa quantidade de pessoas conformadas com os efeitos leves, Lisa foi trocada para caixa de e-mail, a pedido virtual de sua supervisora. Lisa olhou os e-mails marcados como emergenciais primeiro, eram apenas 3, porém sempre que vinham os emergenciais, a empresa parava, sua supervisora observava cada letra, cada passo e cada processo do caso, uma emergência com drogas, mesmo licitas, sempre foram um perigo de processo, causando um grande caos na empresa. Lisa abriu o primeiro e-mail, em seu conteúdo era:

"Bom dia, 

Aqui fala a Teresa Mercelos, de 40 anos e 44 meses, façam vocês o calculo, ainda não entendo o porque vocês tem que sabem minha idade! É um absurdo eu ter de mandar um e-mail para que vocês me reembolsem o valor de seu próprio remédio que tem causado problemas na minha vida!

Vocês vendem um remédio para dor que da sono e eu não consigo acordar no meu horário habitual de 5 horas da manhã para fazer meus afazeres, e quando eu falo com seus atendentes, eles dizem que é para eu suspender o remédio, então eu só tenho duas escolhas? Suspender ou sofrer? Então pra quê inventar  remédio? Para dinheiro? Vocês são um bando de caça niqueis, agiotas, vampiros, caçadores dos que não tem dinheiro, vocês nunca vão conseguir se safar disso, eu vou processar vocês! Nunca mais vocês vão vender nem arte na praia!

Adeus, HLUVCA!"

Lisa respirou fundo e escreveu sua resposta:

"Bom dia, Dona Teresa!

Aqui quem fala é Lisa Antreias, vou continuar seu atendimento!

Primeiro, obrigada por aguardar nosso retorno!

Nossa empresa se preocupa com cada detalhe, para que possamos trazer mais tranquilidade e uma melhor qualidade de vida para cada um de nossos clientes!

Sua idade nos ajuda a entender se o fator do sono é interferido por algum hormônio ou hábitos ou etnia e até mesmo a idade.

Dona Teresa, seu médico que recomendou o remédio ou foi automedicação? 

Caso tenha sido automedicação, recomendo diminuir a quantidade do remédio ou até mesmo mudar os horários em que a senhora toma os remédios. Ou até mesmo trocar o remédio por outro que possa fazer a senhora se sentir mais confortável. Sempre apoiamos a ideia de que é melhor tomar o remédio, somente se o médico recomendar! Automedicação pode ser arriscado e perigoso!

Caso seja recomendado por algum médico, a senhora pode ir ver o mesmo e informar esses efeitos, que o responsável irá ajustar a dose ou trocar o remédio por outro, para que a senhora sempre possa ter sua qualidade de vida mais alta e confortável possível!

Não se preocupe, caso a senhora tenha pego o remédio em uma clínica afiliada, por gentileza, nos envie a receita e iremos analisar o que mais podemos fazer pela senhora!

Novamente lhe agradeço, pois toda informação que chega aqui, nós evoluímos e podemos melhorar a vida de muitas pessoas!

Espero que tenha uma excelente semana e aguardo seu contato para nos informar de como irá proceder e se melhorou!

Att, Lisa Antreias, da HLUVCA!"

Lisa parou por um minuto pra respirar, pois reparou que havia redigido o e-mail, sem ao menos parar e descansou a mente, somente fechando os olhos por mais 2 minutos. Lisa, cansada já, resolveu levantar e ir tomar um café, enviou o e-mail e foi até a cafeteira. Obviamente, Alicia estava lá.

-Oi Lisa! Cida me contou que você tem 3 casos emergenciais, tomei a liberdade de olhar e vi que é basicamente reclamações , aposto que se não tivessem usado a palavra "processo". -Ela fez aspas com os dedos. -Eles nem teriam lido! -Terminou ela rindo. Lisa respirou fundo antes de responder.

-Ali, de fato não teria ido para o emergencial, mas não quer dizer. que não seria lida, pelo ao contrário, cada e-mail deve ser levado com seriedade, pois esses dados vão para a HLUVCA e a gente não sabe no que poderá influenciar! Cida teve uma boa ideia ao colocar atendentes de filtro, para nos ajudar a saber o que responder para cada cliente.- Ao terminar de falar, Lisa pegou o copo biodegradável para colocar o café, enquanto enchia, conseguia ver que Alicia estava pensando seriamente em algo, ficou calmamente preparando seu café com adoçante ao invés de açúcar, enquanto esperava a mesma pensar e falar algo que provavelmente seria. inconveniente ou insensível. 

Depois de uma longa pausa, enquanto Lisa bebia o café, com calma, Alicia disse:

-Eu sei que você tem medo porque você é uma cliente da empresa, além de trabalhar para ela, mas ainda acho que você leva tudo isso á sério de mais.

Lisa conseguia ver a seriedade no rosto de Alicia e riu.

-Eu honestamente nunca lembro que também sou cliente, mas se você pensar, quase todos aqui são.

Lisa terminou seu café e saiu em direção a sua mesa para continuar seus atendimentos. Enquanto escrevia e explicava aos clientes nos e-mails sobre os efeitos, a importância de cada e-mail, informação e dados compartilhados com a empresa, Lisa pensava no que Alicia havia. dito. Como podia esperar que Alicia entendesse a importância que Lisa dava á cada informação, quando o objetivo de Alicia era crescer na empresa através de seu pai? Lucio Mcdioggio, o homem que vinha na empresa 1 vez por mês para saber se estava tudo bem e sumia. Ninguém sabia o nome de seu cargo, mas ele é um dos Big Five, um dos 5 maiores da empresa.

Alicia sempre ficava na cafeteira, esperando os supervisores e gestores, para obter informação e influenciar os mesmos, talvez ela quisesse parecer o pai, ou tivesse aprendido com ele. Com 5 anos de empresa, Lisa ainda não entendia porque ela não havia crescido de posto, talvez essa frustração faça com que ela não enxergue seu próprio caminho. Ou talvez crescer em uma cidade pequena aonde todos se conhecem seja praticamente impossível.

 Lisa suspirou ao terminar o segundo e-mail. Reunindo forças para o terceiro, Lisa olhou para seus colegas atendendo o telefone e trabalhando duro, a mesma sentiu desesperança, pois sabia que ao menos 90% deles estavam juntando dinheiro para sair da cidade, já que queriam crescer e ali era quase impossível. Lisa suspirou de novo e seguiu para o terceiro e-mail.

Após uma tarde inteira de e-mails respondidos, almoço e intervalos de café, Lisa estava pronta para ir para casa, comer seu lamen de frutos do mar, assim que ela saiu de seu trabalho, Lisa estava de bom humor, foi pra casa escutando musicas e cantando baixinho, talvez incomodando alguns na rua.






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